Após um período de fortes aumentos em março, os preços dos combustíveis no Brasil entraram em fase de estabilização ao longo de abril, porém ainda em níveis elevados. O cenário é apontado pelo mais recente levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação, que indica uma mudança no comportamento do mercado, sem redução consistente nos valores.
De acordo com o estudo, o diesel — que acumulou alta próxima de 25% em março — segue como principal fator de pressão sobre a economia, impactando fretes, cadeias produtivas e custos operacionais. Embora o ritmo de aumento tenha diminuído, os preços permanecem elevados, mantendo o impacto inflacionário.
O relatório aponta que abril representa uma transição após o ciclo acelerado de alta registrado no mês anterior. A escalada, que começou com aumentos de cerca de 8% na primeira semana de março e chegou a quase 25% no fechamento do período, deu lugar a uma acomodação sem queda significativa.
Nesse contexto, o etanol passou a ganhar relevância como alternativa para consumidores, especialmente em regiões com maior produção agrícola. Diferentemente dos combustíveis fósseis, o biocombustível apresentou queda em áreas estratégicas, funcionando como um fator de alívio parcial.
Segundo o diretor do IBPT, Carlos Alberto Pinto Neto, o comportamento do mercado reflete uma estratégia de adaptação do setor. “As distribuidoras estão operando em um cenário de ‘gestão de danos’. A recomposição de margens observada no estudo não é ganho arbitrário, mas sim um movimento defensivo de preservação de estoque. Com o custo de reposição incerto, o mercado de distribuição precisa trabalhar com um colchão de segurança para garantir que não haja desabastecimento nas regiões mais distantes dos portos.”












